sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Informação, sentido e os papéis sociais

Diego Silva de Avila
06007198

A imitação é a base da vida social. É imitando comportamentos que aprendemos e é esse ato que gera a assimilação dos papéis sociais. Os papéis sociais são os arquétipos que assumimos (ou somos condicionados a assumir), como: o malandro, o ingênuo, a mãe amável...
Esses papéis são o resultado de uma combinação de fatores, entre eles o de o homem nascer em um mundo que já tem uma estrutura própria, onde temos como única opção o ingresso, para ingressar em uma estrutura – seja ela qual for – deve-se assimilar experiências, assimilar toda a história de seus antecessores. O mesmo acontece, por exemplo, ao entrar em um grupo social, o ingressante imita as roupas, os gestos e modos de pensar para sua aceitação poder ser cogitado.
Uma das funções dos papéis sociais é a de “inconscientizar” as reações, é até meio óbvio que não analisemos tudo que vamos fazer, não pensamos, por exemplo, o que iremos dizer ao atender ao telefone, não precisamos pensar como cumprimentar as pessoas, pois os fazemos automaticamente. E os papéis ampliam essa automação de reação, além de sabermos o que vamos fazer, sabemos como os outros devem reagir e os cobramos por isso. Sabemos aonde o malandro vai quando desce a rua ou como fica o rosto do ingênuo quando falamos de sexo.
É importante salientar que os papéis não permanecem estáveis para sempre, socialmente vamos mudando qualidades de nossos papéis a partir das exigências de cada situação. “Cada tarefa reclama suas próprias qualidades”.
Como dito, a sociedade exige que certas tarefas sejam feitas, diz que certos comportamentos serão aceitos enquanto outros não. Cada papel tem suas próprias reações diante de cada estímulo devido ao “dever-ser”, ou seja, a relação do homem com seus deveres. A mãe deve amar seus filhos e os servir, enquanto o pai deve trabalhar e sustentar a família. O homem que tem um filho “deve ser” então pai e marido e fazer o que esses papéis exigem dele.
Um exemplo interessante é o do operário e a greve, imagine que um operário se coloque contra a greve de seus companheiros por seus direitos, este seria visto como ridículo.
Vivemos na sociedade da informação, onde acredita-se que é a informação o que liberta o homem, que é a informação que o faz pensar. Mas sabe-se que quanto mais informação menos sentido, vivemos na verdade em uma sociedade que sabe mas não compreende.
Norval Baitello jr. tem sua teoria de que os excessos geram a falta e que quanto mais inserimos elementos, menos eles serão vistos.
O excesso de informação faz com que o homem perca a capacidade de analise, mesmo aquilo que deve-se analisar se baseia no gesto inconsciente. Se todo conhecimento é gerado por uma experiência, uma sensação, como podemos produzi-lo a partir de experiências que não vivenciamos? Que não sentimos?

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Gustavo Del Nero Ferreira – 06004163

 Filosofia da linguagem e Comunicação. 

Os meios de comunicação sempre vêem sofrendo mudanças com a evolução dos aparatos técnicos. Com isso temos a migração de diversas linguagens para diferentes meios que se reformulam para decodificar uma mensagem ao usuário.  Com a evolução do aparato técnico, comunicar ficou muito mais fácil e ágil, hoje pode-se transmitir uma mensagem sem sair de casa, houve um crescimento desenfreada de meios de comunicação.

Esse crescimento transformou a comunicação, antes onde era um meio de informação e cultura se tornou um poço de desinformação e inverdades, por conta da falta de credibilidade das novas pessoas que colocam informação em circulação. Houve uma contaminação generalizada em meios que antes eram lidados como fontes confiáveis. A internet foi um grande colaborador para essa contaminação, coma convergência das mídias hoje se fala em televisão na web ou jornal na web, que não tem o mesmo potencial informacional do que os antigos meios, mas ganham tanta credibilidade quanto os mais antigos.

A mídia se transformou em um grande fazedor de negócios, “a indústria cultural” onde o dinheiro vale mais do que uma informação, e a cultura e a qualidade são segundo plano. Quando os meios de comunicação viraram indústrias, a qualidade de programação e conteúdo cai, as propagandas, grandes fontes de lucro, invadem cada vez mais o espaço de um conteúdo cultural, e tomam tanto espaço que muitas vezes até interferem no conteúdo de uma programação (marshendising).

A televisão é um bom exemplo da contaminação da falta de conteúdo, para tentar competir com meios mais acessíveis como a internet, por exemplo, onde os conteúdos são jogados e podemos pegar e retransmitir da forma que quisermos, a televisão acaba se transformando em u ma miscelânea de conteúdos jogados, onde só o que importa é o atrativo que se transforme em lucro. Uma grande irresponsabilidade, pois a televisão é tão poderosa quanto uma arma de destruição em massa, ela contamina e dissemina.

Muitos estudiosos perceberam a importância do estudo da linguagem de forma que a Epistemologia que estuda a crença e o conhecimento é um dos focos de estudos maiores dos filósofos da linguagem. A percepção do poder que a linguagem exerce na crença é fundamental para se fazer comunicação, intender o poder que isso pode trazer é o caminho para transformar a linguagem em uma ferramenta em potencial. A linguagem também se confunde coma filosofia no estudo da lógica, que estuda a interferência, ou a tentativa de criação de critérios para organização.

Hoje a internet é o meio de comunicação que passa por toda essa reformulação de linguagem, apenas como um protótipo de comunicação, mas com um poder maior do que qualquer outro meio, ela vem cada vez mais tomando o espaço e agregando diversos tipos de linguagem, isso a torna cada vez mais poderosa, afinal dominar todas as linguagens é a melhor forma de se comunicar.

Irformações Conectadas

As informações produzidas nos chegam pelos meios de informação e comunicação que, por sua vez, também constroem imagens a respeito do mundo; para entreter e vender, sugerem muitas vezes o que devemos vestir, comer e até agir. Por isso, já se discute uma necessidade de uma alfabetização visual, que se expressa de variadas formas, as pessoas não conseguem separar o real do que é passado pela mídia, e às vezes não consegue se enquadrar a padrões.

A conexão entre a globalização, a economia, a ecologia e por fim, o desenvolvimento tecnológico, é notável, porém, está invisível para a maioria das pessoas. Tudo o que conhecemos até hoje está interligado, um grande sistema com inúmeras conexões. Por isso, qualquer alteração em um desses subsistemas afeta todo o resto. O maior problema à rotina do homem moderno é a massiva quantidade de informação “expelida” diariamente pelos meios de comunicação.

O ser humano vem enfrentando diversas crises como a inflação, a ameaça de esgotamento energético, entre ouras, que são consequências da principal que é a de informação. Hoje em dia há tantos estilos e formas diferentes, cada “espectador” possui uma visão de mundo diferente, o crescente interesse pelo visual tem levado estudiosos a discutirem sobre as imagens e sobre as expressões das diferentes designações, como leitura de imagens e cultura visual.

A leitura de imagens de tendência formalista fundamenta-se na razão perceptiva e comunicativa que justifica o uso e desenvolvimento da linguagem visual para facilitar a comunicação, porém, a presença de uma racionalidade não representa uma hegemonia, pois diferentes formas de racionalidade. Elas podem conviver no mesmo espaço e tempo, e uma pode estar mais consolidada que outra, isso devido a racionalidade moral, que entende que a prática artística contribui para a educação moral e o cultivo da vida espiritual e emocional, para a projeção de emoções e sentimentos que não possuem outra forma de serem transmitidos.

Em contraponto, os meios de comunicação levam para as pessoas, uma noção nova: há problemas mundiais e fazemos parte deles. O mundo é um só, com a televisão, assistimos às tragédias de outras pessoas como se fossem nossas. Somos espectadores e testemunhas ao mesmo tempo. Se há décadas a noção de interligação passou a ser reforçada a partir da inserção da televisão, hoje em dia esta realidade está tão presente quanto nossas necessidades diárias. A partir da internet, as mídias convergiram, a globalização ganhou novo sentido.

A partir da filosofia de tais assuntos, a semiótica introduziu no modelo de leitura da imagem as noções de denotação e conotação: significado entendido “objetivamente” e “subjetivamente”. Já os antropólogos, sociólogos e historiadores interessam-se pelo uso de imagens como fonte documental de pesquisa. O uso de imagens na pesquisa histórica é crescente, apesar de pouco. A compreensão crítica aborda a cultura visual como um campo de estudos múltiplos e por se tratar de uma abordagem multireferencial e transdisciplinar, minha pesquisa possui bastantes pontos em comum com o texto analisado.

Com o passar dos anos, o ser humano necessita possuir conhecimento sobre tudo, há mais vontade de aprender e se adaptar, devido também ás facilidades, criou-se uma rotina em que o trabalho e o estudo estão em primeiro lugar. O universo é uma rede interligada, uma informação se liga a outra. Por isso, a memória é essencial, o computador por muitos é idolatrado, devido a sua grande memória, aí surge o grande problema: ele tem memória, mas não pensa por si próprio, não é completo. Para os Enciclopedistas, os termos cruciais são: a Memória, a Reflexão, a Razão e a Imaginação. A escrita e a imprensa são vistas como uma maneira de prolongar a memória, mas o que a Enciclopédia faz é reduzir o conhecimento, e para isso ela precisa sempre estar atualizada, muitas vezes, ela precisa ter um ponto de vista especifico.

Com a internet houve a possibilidade de se realizar uma enciclopédia real e completa, sem limites, além de vários problemas resolvidos: a facilidade pra organização e armazenamento, mas o grande problema é que as pessoas lêem as informações esquecem rapidamente. Por não ter limites, é uma fonte que acumula muita informação, tornando o serio o problema de “garimpar” o que é mesmo relevante. O conjunto dos meios de comunicação define a indústria cultural de certo modo, tudo visa o comércio, o que importa é o consumidor conseguir uma qualidade, uma estética, ou seja, tudo o que for preciso para que chame atenção. Adorno mostra as soluções para este problema: a morte deste período da Industria Cultural e a volta a verdadeira arte, que proporciona para as pessoas a volta de sua personalidade sem influencias, com a arte, a massa fica livre para pensar e agir. Porém, as expressões de arte são reprimidas no cotidiano, havendo uma “guerra” psicológica para que o indivíduo viva um padrão imposto sem que possa mostrar sua individualidade e vontades autônomas.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

O valor da palavra na sociedade consumo

Fernando Caris de Almeida-06005879

Este ensaio é baseado nos textos “O que é filosofia da linguagem”, de William P. Alston, “Informação e Sentido”, de Paulo Serra e “Indústria Cultural: Revisando Adorno e Horkheimer”, Alda Cristina Silva da Costa, Arlene Nazaré Amaral Alves Palheta, Ana Maria Pires Mendes e Ari de Sousa Loureiro.
Muito ouve-se falar sobre a Filosofia da Linguagem, porém, poucas definições temos dela; segundo Alston “A Filosofia da Linguagem está ainda menos bem definida e possui um princípio de unidade ainda menos claro do que a maioria dos outros ramos da Filosofia.”. No entanto, é possível organizar uma lista das fontes de interesse desta área de estudos: primeiramente a Metafísica, que trata de classificar fenômenos supostamente universais. Em segundo lugar, temos a Lógica, que tenta criar critérios para distinguir interferências como válidas ou inválidas. Depois, passamos pela Epistemologia, que trata dos problemas filosóficos relacionados à crença e ao conhecimento, neste estudo trata-se de diferir as crenças das verdades para chegar a um ponto de equilíbrio, o conhecimento. Por último temos a Reforma da Linguagem, que, apesar de não concernir necessariamente aos filósofos, discute as deficiências de uma língua em particular. Isto é crucial para a prática da filosofia, pois é através da língua que estruturamos um pensamento.
Já em se tratando do texto de Paulo Serra, pode se observar que ele não acredita no conceito iluminista de que “quanto mais informação, mais conhecimento”. Justamente, ele defende a ideia de que a inflação de informação provoca a deflação de conhecimento, justamente porque a produção de informação está, agora, inserida no contexto do consumo (fato comentado no texto “Indústria Cultural”). Cada vez mais se produz informação em larga escala, porém, essa massa informacional traz pouco sentido, pouco conteúdo. É neste ponto que os três textos se cruzam.
Para produzir informação é preciso que ela esteja baseada em conhecimento, que como foi dito anteriormente, é a combinação de crenças e verdades. No entanto, o que tem acontecido é o uso da informação para um propósito particular. Isso acontece muito, por exemplo, em campanhas políticas, atreladas principalmente à publicidade. A informação é manipulada. O mesmo acontece na televisão, em que a informação é retroativa: a TV fala sobre ela mesma. Temos aí o esvaziamento do conteúdo, o grande problema da informação na sociedade do consumo.
Tornar a informação “mais acessível” ou “democratizada” nem sempre nos traz benefícios. No contexto do consumo, isso é praticamente impossível, pois ela é um produto comercial, o que torna a palavra e as idéias algo “vendável”; o interesse aqui não é crescer intelectualmente, e, sim, financeiramente.

FERNANDO CARIS DE ALMEIDA-06005879

Rede de Informações e Conhecimento e o Cotidiano

Rede de Informações e Conhecimento e o Cotidiano

Uma grande dificuldade da sociedade, neste século, será admitir que tudo o que conhecemos até hoje, está interligado. É tudo um grande nó, um grande sistema, com infinitas conexões, e qualquer alteração em um desses subsistemas, consequentemente afetará todo o resto. A conexão entre assuntos como economia, ecologia, globalização, desenvolvimento tecnológico, é inegável. E é exatamente este conceito que é invisível pela maioria da sociedade, que conseguiu separá-los já cedo, dando ênfase, principalmente, à economia, desequilibrando-a. Para quem trabalha no mercado da economia, negligenciar todo o “resto” é a opção mais eficiente quando o objetivo é lucrar. Afinal, se a economia não tem, por exemplo, ligações com a ecologia e com os problemas que devem ser resolvidos no meio-ambiente, não é dever da própria economia, resolvê-los. Não é a toa que um quinto da riqueza mundial se concentra nas mãos de 1% da população mundial.

O maior problema que se formou, em relação à rotina formada pelo ser humano, e ao qual ele está preso completamente hoje em dia, e à abundância de informação que é jogada em nós diariamente, é que a rotina em que nos acostumamos a viver, e o conhecimento lançado nessa rotina, são destrutivos. Nos vemos, agora, pressionados a mudar tudo isso para que o Mundo não chegue num ponto de flagelação que nos obrigue a mudar totalmente nossos padrões de vida e, pior, que extingue a raça humana.

Mas como mudar algo que diz respeito completamente ao nosso dia-a-dia, e ao modo em que nos acostumamos a viver confortavelmente?

No livro “O ponto de Mutação” (1988), Fritjof CAPRA deixa claro que a degeneração do meio ambiente é a crise principal que enfrentaremos e que já estamos enfrentando, e as outras crises, como a inflação, a ameaça de esgotamento energético, e todas as outras, são conseqüências da crise principal. Portanto, devemos, acima de tudo, centrar nossa atenção na crise do meio-ambiente, arranjando soluções para esta, e focando a resolução dos outros problemas de um modo a ajudar também o meio-ambiente. Porém, a visão geral dos economistas globais é, ainda, antiecológica, e assim são também suas ações, e a conseqüência disso será a depauperação dos recursos naturais de que dependemos totalmente. Para que isto não aconteça, precisamos frear a idéia de crescimento econômico contínuo, e acelerarmos, ao invés, o pensamento de que para cada estrutura de nosso sistema, há uma dimensão ideal. É preciso repensar a dimensão da economia, e colocar prioridades em pauta, dentro da própria economia, como a reciclagem de nossos recursos naturais.

Em “Terra-Pátria”(1996), de Edgar MORIN, vê-se extrema semelhança com as idéias de Capra. Em tal obra, também, a mundialização econômica, se tivesse dimensões equilibradas, igualaria as partes do planeta, mas, como não é o caso, ela vem desigualando-as. Assim também é a tecno-ciência que, de um lado, ao passo que evolui e progride na medicina, de outro, cria armas que podem destruir o mundo diversas vezes.

Paralelo a isto, a televisão e o cinema começam a trazer no cotidiano das pessoas, uma noção que antes não existia: a de que há problemas mundiais, de que fazemos parte, de fato, de um mundo só. Vivemos todos no mesmo lugar, e, com a televisão, assistimos às tragédias de outras pessoas que vivem distantes de nós, mas nem tanto. Somos espectadores agora, portanto somos cúmplices ou testemunhas. A humanidade nasce.

Se há décadas atrás esta noção de interligação com o mundo todo passou a ser reforçada com a inserção da televisão, hoje em dia então, esta realidade está tão presente em nossas vidas quanto nossas necessidades diárias. Com a internet e o celular, as mídias convergem totalmente, e a globalização ganha novo sentido. Mas uma rotina individualista e sem base na preservação do meio ambiente em que vivemos, da qual herdamos de nossos ancestrais, é mais forte. Faz parte da nossa cultura, mas deve mudar, de um jeito ou de outro, por necessidade.

Morin julga ter sido possível, já há décadas atrás, “técnica e materialmente, reduzir as desigualdades, alimentar os famintos, distribuir recursos, atenuar o crescimento demográfico, diminuir as degradações ecológicas, mudar o trabalho, criar diversas altas instâncias planetárias de regulação e de proteção, desenvolver a ONU como verdadeira Sociedade das nações, civilizar a Terra.” de acordo com as técnicas, informações e comunicações que já tínhamos em mãos. Já aconteceu a terceira revolução tecnológica, que uniu a computação com a informática, com a comunicação, e diminuiu barreiras de espaço e distância. Deveríamos ter nos preparado para receber essa revolução de modo a usá-la para resolvermos os problemas já existentes há décadas em nossas vidas. O que devemos fazer agora, portanto, é pensar de forma planetária e política, e traçar a idéia de inseparabilidade entre os assuntos e acontecimentos - esta é a essência do pensamento sistêmico.

Fritjof CAPRA, em “Ponto de Mutação” (1988), também relaciona os problemas planetários à política, mas acusa que os políticos, junto com os meios de comunicação de massa, estão desorientados e não sabem quais dos problemas priorizarem, sendo que não se pode priorizar nenhum no momento, pois tudo vem de uma mesma crise. Novamente em sintonia com Morin, Capra sente a preocupação dos cidadãos com as questões sociais e ambientais antes de qualquer outra grande potencia. Tais cidadãos sentem a necessidade de se criar tecnologias brandas, que não sejam tão agressivas ao meio ambiente, e de consumir menos. Ainda é uma minoria que pensa assim, mas já é um começo.

A cada geração, o ser humano necessita ter mais conhecimento geral sobre tudo, mais vontade de aprender e se adaptar a uma rotina em que o trabalho e o estudo estão sempre em primeiro lugar. Pensando no Universo como uma rede interligada, uma informação se prende a outra, e, assim, quanto mais se retém informação, mais novas informações aparecerão. Mas infelizmente, como dito acima, é fácil negligenciar determinadas linhas de pensamento no processo de ensino, já na infância, e ter como base outras linhas de conhecimento que giram em torno, normalmente, do método de memorização de informações necessárias para se passar do vestibular. Não se deve ser pregada a tática de enterrar o aluno com informações sem parar, mas se isso fosse feito pelo menos com informações úteis para que o cotidiano do aluno já fosse construído de modo a se viver de forma sustentável, seria um grande adianto.


Liana Mastrocola

A Linguagem, os Meios de Comunicação e a Indústria Cultural

O interesse que a filosofia tem em relação à linguagem, se divide em três ramos, que são a Metafísica, a Lógica e a Epistemologia. Primeiramente, temos que entender que as palavras, os símbolos e etc., podem ser interpretados de varias maneiras, e essas diferentes formas que podem surgir, dependem das mais diversas proposições que podem ser utilizadas. Os enunciados envolvidos com as palavras são de grande relevância e fazem ela ter uma lógica, os diferentes enunciados fazem com que as frases, mesmo sendo muito parecidas, tenham mais ou menos importância por exemplo. A Epistemologia ou a Teoria do Conhecimento envolve o motivo das pessoas já saberem a resposta de muitas coisas, por exemplo, com a matemática quando 2 mais 2 será sempre igual a 4. É difícil entender como podemos ter tanta certeza de algumas coisas.
A cada lugar que vamos, encontramos um jeito de falar diferente, existem hoje, inúmeras línguas, algumas consideradas mais importantes do que outras. Mesmo sem irmos muito longe, nos deparamos com sotaques e gírias diversas, todos querendo dizer uma mesma coisa. É assim, que começamos conseguir reparar a enorme diferença de linguagem que existe no Mundo.
A idéia, é conseguir criar uma linguagem universal, como já existem vários símbolos, por exemplo na internet, que são entendidos por todos. É possível termos um Mundo onde é criado um Meta Mundo ou uma Metalinguagem, criando assim, um outro universo de linguagem que fosse possível mediar. A primeira coisa é impor uma regra, ou seja, uma maneira de organização para a linguagem. Porem, no máximo teremos pequenos grupos de linguagem, ou seja, isso muito provavelmente funcionaria em pequenos núcleos.
O hipertexto faz parte desta perspectiva, ou seja, ele é como a ultima estratégia de voltar para um controle, porém é um controle mais flexível. Atualmente, a informação já é feita para ser esquecida. A linguagem por si só já é um elemento, um produto social, o elemento semântico, tem um sentido coletivo. A idéia de hipertexto está relacionada a justa posição das partes, ou seja, ela é relacional, pública e coletiva até determinado momento. As ferramentas que tem uma sobre vida, é aquela mais rápida, aquela que rapidamente te supre, nossa referêcia não é para criar, e sim usar as ferramentas.
É importante lembrar e relevar, que a fala é dada em um lugar publico, a linguagem é relacional, este sentido também trabalha no aspecto de ser inacabado (designo), ou seja, possui um projeto que não possui um FIM útil, ele é visto somente com a questão da mediação, essa idéia de mediação tem uma perspectiva de processo. Esta reforma da linguagem seria de grande importância e muito interessante esta relação que os filósofos estão tendo, os diferentes significados que uma palavra pode ter por exemplo, as combinações existentes, as teorias, as expressões, as contradições, os conceitos, tudo vem tendo uma grande importância para os filósofos, que trabalham o assunto com muita determinação e também muita cautela, pois a criação de linguagens, ou da linguagem, é de sempre uma enorme importância.
Hoje, estamos cada vez mais acumulando informação, com as novas tecnologias, com a mídia, com as novidades inclusas no nosso dia a dia, faz com que muita informação acabe sendo em vez de satisfatória, prejudicial. Como diz no texto, Baudrillard defende que - "estamos num universo em que existe cada vez mais informação e cada vez menos sentido". E com essa explosão de informação, fica difícil de saber o que é realmente certo e o que não é.
A memória tem grande importância neste assunto, pois todos querem que ela consiga guardar seguramente os conteúdos que a pessoa acumula. O computador por muitos é idolatrado, por ter uma grande memória pra as pessoas poderem guardar e quando quiser relembrar por ele, porem isso é um pensamento conturbado, pois não podemos usar a memória para o excesso das nossas informações, se nem mesmo nós conseguimos saber se são relevantes.
Para os Enciclopedistas, os termos em relevância são a Memória, a Reflexão, a Razão e a Imaginação. Para a informação ter significância e importância, é muito importante saber peneirar o que realmente é certo e vale a pena acrescentar e o que não é e não vale, nem que para isso seja preciso apagar da memória as lembranças que não servem mais, assim substituindo por uma memória racional. Temos que conseguir assim, informações importantes para ela poder ser passada de gerações para gerações.
Os conhecimentos humanos podem ser separados de duas maneiras, os conhecimentos directos, que recebemos sem querer e os conhecimentos reflexos, que é resultado de uma reflexão como o próprio nome já diz, de uma combinação.
A escrita e a imprensa é vista no texto como uma maneira de prolongar a memória, uma memória relativamente artificial, para determinado assunto, elas assim, fazem parte da Lógica. As memórias artificiais, geram alguns problemas como por exemplo a alteração constante dos conhecimentos nas ciências e nas arte. O que a Enciclopédia quer realmente é reduzir o conhecimento, e para isso ela precisa sempre está muito bem atualizada, e pela quantidade de informação que se tem sobre um mesmo assunto muitas vezes, ela precisa ter um ponto de vista especifico.
O texto retrata as duas principais fontes na atualidade de informação, ou seja, os jornais e a enciclopédia, nos jornais as pessoas encontram as noticias atuais, que devem ser esquecidas logo depois, e na enciclopédia, as pessoas encontram um conteúdo mais memorável, ou seja, um conteúdo estudado, cientifico, histórico, etc., e escolhido para posteriormente poder informar com toda a certeza a todos.
As enciclopédias, estão cada vez mais grossas, com mais informações, e assim menos completa. E alem disso, as mídias estão promovendo essas informações de maneira mais atraente, porem mais informal, fazendo com que as pessoas esqueçam rápido sobre o assunto.
A internet, com sua capacidade de realizar uma enciclopédia real e super completa, não tem limites, ela pode armazenar exageradamente informações, Com ela, vários problemas seriam resolvidos, como por exemplo, a facilidade pra organização, mas o grande problema é que alem da plataforma que ela está, fazendo com que as pessoas que lêem as informações esqueçam rapidamente, é uma fonte que acumula muita informação por não ter limites, tornando o serio o problema de peneirar o que é mesmo relevante. Se a tecnologia for usada, é necessário existir uma que não tenha infinitude, que tenha restrições, e que informe corretamente, como as enciclopédias, que colocam as informações depois de muita pesquisa, estudo e dedicação, pois ao fazê-la todos já sabem que seu conteúdo passara em gerações.
O conjunto dos meios de comunicação, como por exemplo, o cinema, define a indústria cultural, e de certo modo a população é manipulada por ela. Tudo se concentra no comercio, o conteúdo na grande maioria das vezes não interessa, pois o que importa é a quantidade de consumidor, e para isso existir, precisa conseguir uma qualidade, uma estética, ou seja, tudo o que for preciso para que chame atenção.
A indústria hoje é como se fosse uma instituição social, é uma indústria como se diz no texto, eminentemente técnica, diferente de antes, quando a palavra indústria, se referia á uma habilidade individual, como habilidade, perseverança e etc.. E por isso, é que a sociedade está cada vez mais sendo conduzida pela técnica. No texto, Adorno e Horkheimer dizem que não estamos mais vivendo em uma cultura de massa, e sim, assistimos aos desfiles da indústria cultural.
Neste período, o consumidor deixa de ter o papel principal, e se torna o objeto. Todas as plataformas midiáticas possuem relação, ou conexão com os produtos que serão consumidos, assim é formado um padrão que é totalmente seguido. Com isso, a cultura vai ficando cada vez mais fraca, ou vai se modificando, de acordo com as técnicas que estão sendo oferecidas, e a indústria cultural, mostra bem isso.
A economia está totalmente ligada a está época, e faz com que os indivíduos vivam cada vez mais sozinhos e se tornando cada dia mais ilusórios. Já está marcada uma padronização que a população se acostumou a seguir, e isto acontece com a musica, com os estilos, com as personalidades e etc. Por esses motivos econômicos, a publicidade se encontra totalmente presente, as pessoas, mesmo sabendo que não necessitam daquilo, querem cada vez mais adquirir materiais, fazendo com que a publicidade tenha as duas coisas que quer, a população consumindo seus produtos e acima de tudo dando audiência.
A Indústria Cultural modela as pessoas através do interesse comercial, a população se encanta e acaba querendo se identificar com os filmes, imagens, lojas, ou seja, com todas as formas de produto e acaba se delimitando automaticamente, perdendo seu olhar critico e autônomo. As pessoas pararam de pensar por si próprias por causa da presença em tudo da industria cultural, é propositalmente perseguidora da população, fazendo assim, ela escrava desse meio.
Com o homem sendo tão bem manipulado, ele se torna individualista e consumista, nem mesmo na hora da diversão isso é deixado de lado, por exemplo com o cinema, que sempre foi lugar para se divertir, hoje as pessoas procuram essa diversão mas não conseguem ver o que há por trás, que é a manipulação, o consumismo, o domínio, etc., conseqüentes também desta evolução tecnológica.
A única opção que resta para as pessoas é escolher o tipo de manipulação que ela sofrerá. Está em todos os lugares e ninguém pode escapar deste capitalismo, o desejo de estar neste meio só aumenta, pois o que antes era opção, hoje se tornou necessidade. No texto, Adorno mostra as soluções que ele mostra para este problema, que é a morte deste período da Industria Cultural, e com a arte, ele diz que a arte proporciona para as pessoas a volta de sua personalidade, pois ela permite a expressão própria da pessoa, sem influencias, com a arte o individuo, fica livre para pensar e assim agir.

Coesão social e comunicação

O cotidiano é identificado como um “lugar', com espaço e tempo constituídos de um processo de socialização que relaciona o individuo ao grupo, onde ocorrem misturas de personalidade de comportamentos, que acabam formando grupos definidos pela coesão social. Assim, o cotidiano é o lugar onde os indivíduos agem, se reconhecem e assim podem formar a sua história.

Tudo que é algo extraordinário do comum, como atos políticos históricos por exemplo, surgiu do cotidiano, ou seja, ele sustenta a tudo que lhe sobrepõe.

É no cotidiano que forma-se o senso comum, tudo que pode ser reconhecido como algo bom ou ruim para as realizações diárias pelos indivíduos. Aprende-se a agir, evitar, aceitas e questionar previamente os acontecimentos do cotidiano através de códigos impostos pelas relações familiares, amigos, atos estranhos, religião e arte.

Contravimos nossa existência como percepção da nossa humanidade e da diferença que estabelecemos com o outro, no cotidiano construirmos nossa identidade que sempre esta relacionada a aceitação de algum grupo, com suas tradições determinadas pela “normalidade” do senso comum.

Podemos observar o estranhamento da ordem do dia-a-dia na quebra dos movimentos que são considerados cotidianos como: trabalho e ócio, greve, obediência ao pai e revolta, fidelidade e traição e etc.

A cultura o código cultural caracteriza o modo como os indivíduos de comportam na coletividade social e marcam sua história dentro dela. É um exercício de encontrar-se no mundo e interpretar-se a si mesmo, para orientar sua vida individual e coletiva. Como não vivemos sozinhos, muitos de nossos conflitos são diálogos entre nossa individualidade e o coletivo, e só podemos expressar essas indagações e afirmar a nossa existência através da comunicação.

Porém essa individualidade é constantemente massificada, tornando os indivíduos anônimos e alheios, que permitem serem conduzidos sem que haja questionamento sobre a que fins estão sendo levados. Nesse sentido o cotidiano é opressor, pois a imposição da ordem de permanência e aceitação, sob pena de exclusão, obriga o individuo a pensar que a vida humana somente é possível no grupo regido pela ordem do cotidiano. O cotidiano não significa agir do mesmo modo diariamente, mas ser guiado pelo senso comum.

Sabendo que a comunicação é a única forma que faz o individuo reconhecer-se e sair dos esteriótipos formados pelo senso cultural, outra batalha é travada entre os meios de comunicação e sua própria existência. Sabendo que o individuo só tem como arma a comunicação, o poder se integra nos meios de massa para padronizar mensagens de estimulo a inclusão social sem que haja questionamento novamente. As pessoas crescem de frente para a TV, pensando que para serem felizes precisam pertencer a algum grupo e terem tal quantidade de dinheiro.

Como a formação é só a recepção de mensagens, o receptor assume apenas essa função e esquece que pode emitir algo.

As expressões de arte são reprimidas no cotidiano. Há uma verdadeira batalha tanto física como psicológica para que o individuo viva um padrão sem que possa mostrar sua individualidade, ele esta destinado a ter sua existência inclusa em uma tribo urbana.

Por isso observar o cotidiano pode ser um ponto de partida para mudanças e interpretaçõs historias que revelam o esforço da afirmação do ser humano para si e para as outras pessoas. Uma revolução social só pode ser iniciada através de um estudo histórico e do reconhecimento do valor de si mesmo.


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